quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Ogum Xangô - 1975
Em 1975 Eric Clapton andava meio caído musicalmente e psicologicamente, por conta de algumas cagadas que vinha fazendo pelo mundo( chegando a ter álbuns lançados propositalmente como Eric “Crap”ton, sem as aspas mas com o significado implícito, em alguns países), decidiu então passar as férias aqui em nossa boa terra que à todos acolhe calorosamente sem esquentar a cabeça com pequenices, como uma boa cortesã de respeito.
A Phillips do Brasil aproveitou a oportunidade e seu oportunismo de sobra para dar uma promovida no som do “Slowhand” por aqui, promovendo um jantar em sua homenagem e chamando dois “Fasthands” para dar uma “canjinha”, sem ensaio nem nada, durante o evento.
O time era composto pelo pesquisador e percussionista baiano Djalma Correa, o baixista gaúcho da banda do Zé Pretinho Luís Vagner que só viria se tornar o “Guitarreiro” depois de ganhar uma Fender Stratocaster de Odair José(sim! o autor de "Pare de tomar a pílula"!), e a dupla de cantores que se acompanhariam ao violão, um malandro da Zona Norte do Rio vindo do antológico Beco das Garrafas, ex boleiro, ex-Bossa-nova, ex-Jovem-Guarda e dono de uma pegada de violão diferenciada e um baiano que migrou para São Paulo tentando carreira de cantor regional, pirou e transpirou na tropicália, foi exilado político(ou apolítico) em Londres e voltou para o Brasil universalizado . Sim! Nada mais que Jorge “Babulina” Ben e Gilberto ”Beto” Gil!!!
Não precisa nem dizer que os que saíram do jantar bestificados com a Jam Session nem se lembravam de quem era Eric Clapton e muito menos interessados no que cargas d’água ele veio fazer no Brasil.
A música brasileira passava por um período subterrâneo, controlado e policiado pela censura, órgão competentíssimo do governo na época.
Gilberto Gil e Jorge Ben o que fizeram após o encontro? Se reuniram num dos estúdios da “Phillial” da mesma forma como fizeram na Jam Session para o blueseiro e sem ensaio e nem juízo uniram, alquimia, meditação, rockabilly, baião, samba, boogie woogie, Ronnie Self, Luiz Gonzaga, João Gilberto, Jimi Hendrix, tropicália, jovem-guarda e jazz muito jazz tudo isso regado a muita Jurubeba e outras coisas mais que ajudavam na alteração da percepção e estimulavam a criatividade desses dois monstros sagrados.
Resultado: Gil e Jorge – Ogum Xangô, 1975, gravado de uma vez, em uma sessão, em um só dia, livre, lisérgico, alucinante, moderno, no auge da criatividade artística dos músicos envolvidos e chapado muito chapado.
O que eu não entendo é porque poucos conhecem essa obra de arte que deveria ser obrigatória até em nossa grade curricular escolar.
Tem um documentário sobre física quântica, chamado, “Quem somos nós” que explica um fato interessante. Os cientistas tiram uma foto das moléculas de água, antes e depois dessa água passar uma noite numa garrafa com um rótulo escrito alguma coisa em japonês. Felicidade, amor, ódio. Antes as moléculas estavam todas dispersas, depois se organizaram em desenhos doidos perfeitos, cada uma com um desenho relacionado ao símbolo na garrafa. A moral da historinha do filme é que se uma sugestão simbólica faz isso com a água, imagine o que nossos pensamentos fazem conosco pois somos 70% de água.
O que o parágrafo acima tem a ver com esse disco? Tenho uma teoria de que quando este álbum está tocando, ele emana uma sugestão vibracional que faz acontecerem coisas boas num raio de no mínimo uns mil km. Como a sugestão mental na água, só que se propagando pelo ar. Os caras tocando Taj Mahal(estréia da composição nesse álbum) fazendo improviso por 14 minutos é uma das viagens mais loucas que alguém já registrou para passar adiante.
Gil e Jorge – Ogum Xangô é o encontro de dois gigantes da música brasileira em uma viagem alucinante do Rio, a Bahia, a Índia e ao espaço sideral num belo disco de 75. Mesmo
que você não goste de nenhum dos dois, ouça pra testar minha teoria sobre acontecerem coisas boas quando se ouve.
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