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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Saumpaulo

Ah esse céu sempre tão cinza,
deixa o meu humor ranzinza.
Quando saboreio um grego em pleno Largo Paissandu!
Espalha seu veneno pelo ar,
e esse ar que já me fez te odiar.
Como odeiam os punks que conheci lá do Jd. Cabuçu.
E suas moças sempre tão sóbrias,
damas distintas de batons e jóias.
Que eu vejo quando vou na Augusta para me embriagar.
Ah seus mal quistos skatistas,
E as patricinhas alternativas da Av. Paulista.
Ficam me "serrando" quando vão ao vão do Masp fumar.
Ah suas desapropriações ilícitas,
e o jornaleiro reclamando dos petistas.
" E ai firmeza total truta" me cumprimenta um mano.
Mas quando eu vou ao Bixiga,
uma coisa que sempre me intriga.
Em meio tanta África per que chamam o bairro de Italiano?
E na Virada e seus shows de rock,
Eu disfarço o meu T.O.C.
E fico na Luz tomando cachaça e ouvindo forró. (ou na Freguesia do Ó)
Seu Geraldo um rapaz brincalhão
Tem um quê de vilão.
Bota a ROTA na rua para apertar mais e mais e mais o nó.

É por essas e por outras cidades que és a mais mais,
Eu te odeio São Paulo querida, meu caos minha paz!







terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Te Falei


Te falei, que malandragem de verdade é saber como chegar
Te avisei, para não dar bobeira e de vacilo uma rasteira levar

Jogo de dou não dá, nó na garganta feito de cipó.
Saravei meu orixá, saltei de banda e sacudi o pó.
Só eu fiquei no estouro do rojão, tema de canção.
Me segurei e sem café eu fiz da fé meu pão com pão.
Sem dar no pé pode vir pra ver qual é que foi e pá!
Achei axé em cada passo da estrada a luz do luar.
Bebi da fonte, bati de frente e hoje nem quero mais.
E hoje sei que não fujo a lutas mas sou bom de paz.

Te falei, que malandragem de verdade é saber como chegar
Te avisei, para não dar bobeira e de vacilo uma rasteira levar

Solto no ar, solta no aro e deixa a baqueta cantar.
Balança os pratos, as platinelas, as cadeiras de sinhá.
À vontade com a vontade de entender o meu redor.
E na verdade eu quero você, samba, saudade e só.
Com esperança a gente canta, dança e ri na avenida.
E quando bate aquela brisa a tarde é só a vida.
Bamba salta de banda e sabe que viver é sonhar.
Vento de corte é que faz crescer forte o jacarandá.









segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Zikaaaaaaa

Take 1: Mandava o professor tomar no cú, a diretora tomar no cú, o mundo inteiro tomar no cú quando era chamada a atenção pelos seus excessos dentro da escola e ele percebeu rapidamente que aquele lugar não tinha nada para oferecer, só ficar confinado dentro de quatro paredes que nunca iriam ensinar nada que ele pudesse utilizar na sua vida real, meio nervoso com a expulsão da escola, só esfriou a cabeça quando seu amigo animado olhou em seu olhos com adimiração pra ele naquele dia na porta da escola e falou: - Foi expulso parça, caraio você é zika moleque!!!!
Take 2: Porra nenhuma pra fazer, todo mundo estava na escola, tudo otário o negócio era ficar de boa pela rua e o melhor podia virar a madrugada no funk colando ali com os caras que ele admirava,  tudo bem de vida com moto, mulher dinheiro e os panos, puta os caras eram zika.
Take 3: Empina a 500 a milhão descendo as ladeiras, trampando era o mais rápido só pegar aqui, levar ali e se os vermes viessem embaçar queria só ver quem pegava descendo os escadão dando fuga em zigue zague tirando onda, agora ele era visto e lembrado, considerado por todos na quebrada e quando as minas viam ele passando acelerando sua moto sempre falavam: - Ele é zika!!!!!!
Take 4: Graduado no crime, até tinha rodado mas era menor então nem pegou nada tirou a fundação casa no mole, o negócio é se levantar de novo, compra uns kit, mete uns pino no bolso e logo menos ele estourava na norte, com um dinheiro que fez rapidinho naquela fita lá, lançou logo uma tatuagem em letras brilhantes e garrafais: " ZIKA"
Take 5: Sem acerto o homem fardado monstrão virado dos bicos na madruga tinha sangue no olhar com a arma apontada pra cabeça do moleque, mordendo a nuca adoidado qualquer rato que saísse do bueiro faria os músculos retesarem e pronto um estampido e estava feito, o reizinho de bermuda e chinelo estava ali com o cérebro esparramado na viela um estalo seco no meio da noite, a mãe nem chorou seu filho já tava na bola faz tempo ela sabia que hora mais hora menos aquele seria o destino, o motorista da viatura olha pro parceiro e fala: Porra Pires, zerou o moleque porque? Isso vai dar a maior zika, tô te avisando!!!!
Take 6: Passando pela rua da escola vejo o moleque indo pro caminho contrário com a mochila de aluno presente e tento dar um toque tirando um barato: - A escola é pro outro lado moleque rs!
- Que escola tiozão rs, eu sou zika!!!!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Som Noventa





Em um momento onde a música brasileira está sendo aos poucos devastada pelos tubarões das grandes gravadoras, que não entendem nada de música mas lhes sobra apreço pelo apelo aos hormônios juvenis criando novos Beatles de calça colorida e o cabelo pranchado com uma qualidade infinitésimamente inferior aos garotos de Liverpool e toda a quantidade de cifras que essa anti-música gera explorando o orçamento de pais cansados de tanta tralha que a tv enfia goela abaixo dessas crianças, decidi escrever essa primeira coluna como um manifesto, não que eu queira pra mim o título de novo Antônio Maria que batia pesado na turma da Bossa, até mesmo por que esses garotos não tem a genialidade de meio Menescal, Lyra, Nara e companhia.

Sou da geração dos anos noventa saca, neoliberalismo adoidado no mundo e no Brasil mais violento ainda por conta de nosso "terceiro-mundismo" as mazelas sociais ainda hoje presentes começavam a despontar no horizonte para uma geração de músicos que vivenciaram a anistia, greves operárias e a abertura lenta e gradual sem ter voz para suas denúncias.

Esses músicos apareceram para trazer a juventude dos anos 90 oportunamente uma nova idéia sobre consciência e juventude e solidificar a idéia crítica que construíamos de um país que mesmo democrático sofria com as consequências de uma longa e tenebrosa ditadura civil-militar.

Afirmo ainda que esses músicos vieram para testar se essa democracia a caminho de se consolidar comportava o peso de décadas de mordaça, décadas de exclusão e com a proposta de uma nova utilização da globalização que daria orgulho a Milton Santos.

Não podemos falar da música brasileira dos anos 90 sem falar sobre a trindade nem tão santa de ORappa, Planet Hemp e Chico Science e Nação Zumbi.

Fazendo muito mais que só música de protesto, salada mista de ritmos afros do mundo todo, uma rapaziada do subúrbio ganhou o país com suas denuncias que vinham do outro lado do véu que divide a cidade do Rio de Janeiro e todo um país.

A beleza lírica das composições dos "Marcelos" Falcão e Yuka que impressionam pela sutileza-ácida somado a um baixo pesado e envolvente que insinua o espírito do engajamento político e espiritual de seus integrantes fez com que esse banda se tornasse uma das mais importantes da época.

Tudo isso foi o que o ORappa representou de 1994 até hoje para a história da música popular brasileira, sem nenhum estilo definido mas com uma linguagem absoluta, que serviu para que conseguíssemos pensar num som político que desmistificasse a velha e por vezes demagoga visão idílica da miséria, construída pelos intelectuais de esquerda dos anos 60 que se serviram da miséria sem vislumbrar a sua verdadeira face ao retrata-la nas músicas de uma vez por todas.

Com uma linguagem peculiar um power trio de músicos, mais um power trio de MC's decidiram testar os limites da nossa nova democracia quando tiveram a iniciativa de gritar pela legalização já, da liberdade de expressão há muito esquecida e fizeram usos e abusos da fusão rap-rock iniciada em Walk this Way para rasgar o verbo contra a imoralidade e hipocrisia dos políticos da época e pela liberação do uso da cannabis no Brasil.

Planet Hemp, com o melhor time instrumental que esse país viu, riffs carregados de inspiração setentista, grooves na pressão e psicodelismo além de ter B. Negão Black Alien e Marcelo D2 nos vocais com letras que blasfemavam contra os velhos padrões e os plurais porões da nossa consciência democrática, conceito que engatinhava ainda no país marcaram a época espancando a face do bom mocismo.

De Recife veio um furacão tropical chamado Chico Science e Nação Zumbi, punk-rock e maracatu, metal e baião regidos por um gênio e músicos sem par no quesito criatividade e uma influência tropicalista indiscutível.

 O que falar dessa banda, o que falar dessa apresentação no encarte do CD Afrociberdelia de 1996;

 " (Extraído da ENCICLOPÉDIA GALÁCTICA, volume LXVII, edição de 2102).

AFROCIBERDELIA (de África + Cibernética + Psicodelismo) – s.f. – A arte de cartografar a Memória Prima genética (o que no século XX era chamado “o inconsciente coletivo”) através de estímulos eletroquímicos, automatismos verbais e intensa movimentação corporal ao som de música binária.

Praticada informalmente por tribos de jovens urbanos durante a segunda metade do século XX, somente a partir de 2030 foi oficialmente aceita como disciplina científica, juntamente com a telepatia, a meta física e a psicanálise.

Para a teoria afrociberdélica, a humanidade é um vírus benigno no software da natureza, e pode ser comparada a uma Árvore cujas raízes são os códigos do DNA humano (que tiveram origem na África), cujos galhos são as ramificações digitais-informáticas-eletrônicas (a Cibernética) e cujos frutos provocam estados alterados de consciência (o Psicodelismo).


No jargão das gangs e na gíria das ruas, o termo “afrociberdelia” é usado de modo mais informal:


a) Mistura criativa de elementos tribais e high-tech:

“Pode-se dizer que o romance The Embedding, de Ian Watson, é um precursor de ficção-científica afrociberdélica”.


b) Zona, bagunça em alto-astral, bundalelê festivo:

“A festa estava marcada pra começar as dez, mas só rolou afrociberdelia lá por volta das duas horas da manhã”."


É por conta dessas obras primas que eu exponho meu ponto de vista que muitos podem julgar saudosista e eu não nego,é isso mesmo sou saudosista mas quero ver quem refute a importância dessas três bandas para toda uma geração dos anos 90 e a construção de uma visão mais crítica e participativa acerca da realidade do país e do mundo dessa geração.

Isso por que deixei de lado o sacana forró-core dos Raimundos, o dancehall clube da esquina do Skank, também o pop e depois anti-pop Los Hermanos e uma porrada de bandas que ficaram perdidas pelo caminho.

Quando Lobão criticou o som dessa molecada nova dizendo lhes faltava "paudurescência" ele até pode ter errado na forma como dirigiu essa crítica mas entendi ali a indignação de sua pessoa com a falta de atitude sonora dessa rapaziada, atitude é o motor da história da música brasileira e sempre será e me causa um certo estranhamento a falta de atitude desses jovens, a rebeldia já vem hoje em dia formatada.

Me parece é que para algumas dessas bandas aparecer a todo custo fica acima da musicalidade e eles se perderam no fluorescência do glitter de seus óculos new wave iludidos por um sucesso que para todo bom entendedor de música é mais passageiro que meteoros da paixão.

Falta a esses moleques ouvir a trindade dos anos noventa!

Fecho a coluna com um pensamento meu ao ouvir falar de Fresno, Replace, Restart e companhia pela primeira vez: "Porra e onde fica o Delete!?"


Victor Ajami Minkah, é professor de história e no momento está procurando uma saída para a imbecilização coletiva,sem sucesso até o presente momento.



Então vamos falar de Rap


  Em minhas aulas de história venho utilizando o rap constantemente para tratar de temas como exclusão, violência, machismo, racismo, sexismo entre outros assuntos diversos que o gênero aborda e percebi que a maioria dos meus alunos não ouvem rap, muitos deles me disseram que era por que o rap "era muita oreiada", que eles ficavam muito revoltados e que a maioria preferia ouvir funk.
Essa tal "oreiada" do rap "...salvou mais moleque que muito projeto social..." como fala sabiamente Emicida em um de seus sons e de certa forma tirou da alienação e do conformismo generalizado esse colunista que vos escreve.
O discurso do rap, a linguagem do rap me cativou com Fim de Semana no Parque onde eu percebi pela primeira vez que, o moleque que apenas sonhava através do muro, era eu também
, que a minha realidade era mais foda e complexa do que eu sabia ou entendia.
Eu fiquei curioso em saber porque o rap hoje não tem mais a força que tinha na periferia, porque o rap deixou de ser a voz dessa juventude oprimida e foi substituído pelo funk nas periferias?
E cheguei a seguinte conclusão, a periferia deixou o rap, porque o rap deixou a periferia!
Hoje você assiste mais shows de rap na Rua Augusta, em Pinheiros e na Vila Madalena ou na Brasilândia, Guianazes e Heliópolis?
Não acho que o rap deva ficar restrito as periferias, mas vejo que perdeu muito da sua força nesse espaço por não trabalhar mais as suas bases, as bases que o projetaram no país, e ao perder contato com a sua raiz deixou de fazer sentido para essa juventude, deixou de ter vínculo com essa juventude e deixou de ser a voz dessa juventude dando espaço para o funk, funk esse que na verdade é o Miami Bass misturado com Maculelê e está longe de parecer como funk do James Brown que meu velho me ensinou a gostar(não a dançar, infelizmente!).
Ainda tomou uma lição desse mesmo Funk no que toca a divulgação e distribuição, os rappers ficaram muito presos a idéia de assinar com uma grande gravadora e tocar nas rádios, agora pergunto de que valem as gravadoras e rádios-jabás em relação ao poder que as próprias comunidades e a internet tem hoje em dia?
Racionais Mc's vendeu um milhão e quinhentas mil cópias sem dar entrevistas para a mídia, sem tocar nas grandes rádios e por uma gravadora independente.
Tenho minhas restrições a alguns tipos de Funk mas reconheço que a sua cena independente inova nos seus esquemas de distribuição e divulgação feito dentro da periferia, pela própria periferia e consequentemente ultrapassando as barreiras da perifeiria atingindo outros grupos sociais. Já a qualidade dessa música é outra questão.
O rap perdeu o seu espaço por que na minha opinião
o discurso antisistêmico do rap, infelizmente ficou só no discurso, lógico que ainda resta a esperança na parte do rap que vêm nadando contra a corrente já faz alguns anos, então seria injusto não citar Emicida, Projota, Rashid, Pentágono, Contrafluxo, Criolo Doido(melhor álbum que eu ouvi esse ano até agora) e mais um monte de rappers e grupos que eu não me lembrei de falar!
Victor Ajami Minkah teve uma curta carreira de rapper que se limitou a utilizar por duas vezes o microfone aberto de quinta-feira na Galeria Olido há uns anos atrás, experiência que serviu para ele perceber que métrica não era o seuforte.

"É a força de toda força..."


Salve simpatia, meu computador foi pra vala e perdi meu mp3 mas de certa forma inicio a coluna contente por que ela me fez remexer nos meus discos e cds coisa que eu não fazia há um tempo, fato esse que me deu uma luz sobre o que escrever pra essa terça.
Do nada(como sempre) esfriou em sampa e decidi ouvir uma coisa mais ensolarada pra me livrar da nostalgia dessa Babel e o que achei: A tábua de esmeralda.
Infelizmente não tenho em LP essa obra prima, só em CD(uma parada do século passado) mas não estou falando de qualquer álbum e nem de qualquer músico, Jorge Ben antes de ser Jor, para mim é um dos maiores gênios que a nossa música já produziu e o álbum A tábua de Esmeralda de 1974 é um disco obrigatório em qualquer coleção de discos do mundo, obrigatório na coleção até de quem não gosta de Jorge Ben.
Toda psicodelia que Jorge tinha demonstrado em composições como O homem que matou o homem que matou o homem mau, Descobri que eu sou um anjo, Força Bruta e Porque é proibido pisar na grama, conflui para esse álbum, lançado após o também fantástico e emblemático 10 Anos Depois e antes do mais experimental ainda OgumXangô gravado ao vivo no estúdio com Gilberto Gil.
A tábua de esmeraldas é um dos discos mais importantes e influentes na música brasileira não só porque pode(e deve) ser tocado inteiro em qualquer reunião, festa, balada, casamento e velório e timbragem dos vocais e do violão de Jorge perfeita mas também porque Jorge Ben inicia uma nova fase de sua música influênciado pelos tratados alquímicos, filosofia e psicodelia.
No mesmo ano para termos uma noção saíram Secos & MolhadosII, Linguagem do Alunte e Vamos pro Mundo dos Novos Baianos, Gita do Raulzito, Sinal Fechado de Chico Buarque, Paêbirú de Lula Cortes e Zé Ramalho, Tim Maia (Ir)Racional e Temporada de Verão de Gil, Caetano e Gal isso só no Brasil e o país passava pelo período mais violento e ufanista do regime civil-militar, perseguições, manobras politiqueiras e torturas de sobra ao ponto de até Pelé se recusar a ir a Copa do Mundo pelo uso político da nossa seleção de futebol.
O álbum é pura viagem e começa anunciando que os Alquimistas Estão Chegando na pegada de violão marcante, um coro perfeito e um clipe editado pelo Fantástico na época que vale a pena conferir, segue com a homenagem ao filósofo hermético Paracelso em O Homem da Gravata Florida onde tudo flutua em volta do já citado violão inigualável.
O disco explode num Soul-Samba-Dub(única definição que eu achei) orquestrado que Jorge Ben mesmo explica(ou tenta) que: "procuro mostrar se eram os deuses astronautas ou não. É quase uma mecânica celeste...". Sacou? Não? Ouça o som, uma colega me diz que toda vez que escuta esse som sempre fica curiosa para saber o que acontece depois da contagem regressiva em meio aos reverbs e delays no fim da música, eu sei o que acontece:
Jorge Ben: - Pedrinho vai ser papai!
Corista: - Quem vai ser papai?
Jorge Ben: - Menina mulher preta!
Corista: - Menina mulher da pele preta!?(risos)
Só quem já se apaixonou por uma Menina mulher da pele preta sabe que não tem descrição melhor que esse samba rock, urbano, periférico, respeitoso, cortês e ao mesmo tempo cheio de malícia como a letra mesmo diz.
Na melhor linha Flower Power com um groove fantástico o disco segue com Eu vou torcer pela paz, pela alegria e pelo amor, que vem seguida por Magnólia que começa com a frase com a qual eu definiria essa canção: "O que, que eu quero mais?" e um violão violento com repicadas de banjo na palhetada.
Ai vêm o hino dos eternos apaixonados e não correspondidos porém perseverantes Minha teimosia é uma arma pra te conquistar têm um swing irresistível(tente ficar parado ao ouvir),um coral maravilhoso e uma letra de contundente simplicidade, juvenil bossa- novista que remete as raízes e a escola do cantor.
Para quem diz que Jorge Ben era alienado e estava alheio aos ideais de transformação da sociedade vem o grito de Zumbi um funk protesto, combativo sobre africanidade e afirmação de sua identidade negra seguida do Samba gospel Brother.
Outra homenagem a um alquimista é o samba soul Namorado da viúva inspirado na vida de Nicola Flamel e sua esposa musos de Jorge nas artes da transmutação e a swingadíssima e lindíssima Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda adaptação da tradução do filósofo Fulcanelli sobre os tratados desse faraó egípcio encontrados na piramide de Gizé pelos soldados de Alexandre o Grande escrita em uma tábua de esmeralda com uma ponta de diamante uma viagem só pela história da música, música essa que faz jus a todo o psicodelismo do álbum.
O álbum é fechado com 5 minutos onde Jorge Ben conta um bolo, uma volta por cima e ainda por cima(redundante mesmo) "metendo uma mala" com um fraseado todo original e pedindo pra swingar a levada até o fim do álbum, sampleada pelo Black Eyed Peas com o nome de Posivty, a orquestração passa a ideia de toda essa positividade presente nessa fase desse mestre que representa para mim brasilidade, versatilidade, malandragem e a arte de se reinventar sempre que isso for absolutamente necessário ou desnecessário, ouçam o álbum todo na sequência e entenderão a minha piração à respeito... sem mais...para sempre, salve Jorge!!!

Victor Ajami Minkah é bicho-grilo por parte de Mãe, sambista por parte de Pai e sempre sonhou em ser igual ao Jorge Ben quando fosse grande.

Ogum Xangô - 1975


Em 1975 Eric Clapton andava meio caído musicalmente e psicologicamente, por conta de algumas cagadas que vinha fazendo pelo mundo( chegando a ter álbuns lançados propositalmente como Eric “Crap”ton, sem as aspas mas com o significado implícito, em alguns países), decidiu então passar as férias aqui em nossa boa terra que à todos acolhe calorosamente sem esquentar a cabeça com pequenices, como uma boa cortesã de respeito.
A Phillips do Brasil aproveitou a oportunidade e seu oportunismo de sobra para dar uma promovida no som do “Slowhand” por aqui, promovendo um jantar em sua homenagem e chamando dois “Fasthands” para dar uma “canjinha”, sem ensaio nem nada, durante o evento.
O time era composto pelo pesquisador e percussionista baiano Djalma Correa, o baixista gaúcho da banda do Zé Pretinho Luís Vagner que só viria se tornar o “Guitarreiro” depois de ganhar uma Fender Stratocaster de Odair José(sim! o autor de "Pare de tomar a pílula"!), e a dupla de cantores que se acompanhariam ao violão, um malandro da Zona Norte do Rio vindo do antológico Beco das Garrafas, ex boleiro, ex-Bossa-nova, ex-Jovem-Guarda e dono de uma pegada de violão diferenciada e um baiano que migrou para São Paulo tentando carreira de cantor regional, pirou e transpirou na tropicália, foi exilado político(ou apolítico) em Londres e voltou para o Brasil universalizado . Sim! Nada mais que Jorge “Babulina” Ben e Gilberto ”Beto” Gil!!!
Não precisa nem dizer que os que saíram do jantar bestificados com a Jam Session nem se lembravam de quem era Eric Clapton e muito menos interessados no que cargas d’água ele veio fazer no Brasil.
A música brasileira passava por um período subterrâneo, controlado e policiado pela censura, órgão competentíssimo do governo na época.
Gilberto Gil e Jorge Ben o que fizeram após o encontro? Se reuniram num dos estúdios da “Phillial” da mesma forma como fizeram na Jam Session para o blueseiro e sem ensaio e nem juízo uniram, alquimia, meditação, rockabilly, baião, samba, boogie woogie, Ronnie Self, Luiz Gonzaga, João Gilberto, Jimi Hendrix, tropicália, jovem-guarda e jazz muito jazz tudo isso regado a muita Jurubeba e outras coisas mais que ajudavam na alteração da percepção e estimulavam a criatividade desses dois monstros sagrados.
Resultado: Gil e Jorge – Ogum Xangô, 1975, gravado de uma vez, em uma sessão, em um só dia, livre, lisérgico, alucinante, moderno, no auge da criatividade artística dos músicos envolvidos e chapado muito chapado.
O que eu não entendo é porque poucos conhecem essa obra de arte que deveria ser obrigatória até em nossa grade curricular escolar.
Tem um documentário sobre física quântica, chamado, “Quem somos nós” que explica um fato interessante. Os cientistas tiram uma foto das moléculas de água, antes e depois dessa água passar uma noite numa garrafa com um rótulo escrito alguma coisa em japonês. Felicidade, amor, ódio. Antes as moléculas estavam todas dispersas, depois se organizaram em desenhos doidos perfeitos, cada uma com um desenho relacionado ao símbolo na garrafa. A moral da historinha do filme é que se uma sugestão simbólica faz isso com a água, imagine o que nossos pensamentos fazem conosco pois somos 70% de água.
O que o parágrafo acima tem a ver com esse disco? Tenho uma teoria de que quando este álbum está tocando, ele emana uma sugestão vibracional que faz acontecerem coisas boas num raio de no mínimo uns mil km. Como a sugestão mental na água, só que se propagando pelo ar. Os caras tocando Taj Mahal(estréia da composição nesse álbum) fazendo improviso por 14 minutos é uma das viagens mais loucas que alguém já registrou para passar adiante.
Gil e Jorge – Ogum Xangô é o encontro de dois gigantes da música brasileira em uma viagem alucinante do Rio, a Bahia, a Índia e ao espaço sideral num belo disco de 75. Mesmo
que você não goste de nenhum dos dois, ouça pra testar minha teoria sobre acontecerem coisas boas quando se ouve.

Musica Urbana


Final de semana perfeito, muitas notícias e coisas boas rolando e eu seria muito relapso e até injusto se deixasse passar e não escrevesse nada sobre o Urban Music Festival onde estive presente.
Lógico que tem muita gente reclamando da organização, até concordo em alguns pontos (vergonha na cara viu produção!), mas não achei nada tão ruim que não fosse contornado pela dose cavalar de boa musica que tivemos na Arena Anhembi.
Cheguei cedo para pegar um bom lugar e curti a boa visibilidade para os dois palcos que a estrutura deu para quem estava, assim como eu, na pista.
Logo entrando vi a pista de Skateboard e os grafites rolando sem clichê, ali na real, sem produção só os caras fazendo o que sabem e se divertindo, tendinha da ALEDA representando para a rapaziada que curte fazer a cabeça com certa qualidade em plena ressaca de uma marcha pela liberdade (de falar maconha!) que foi duramente reprimida pelo neo-socialista (pensa que engana quem!) Kassab .
Assisti ao final da empolgada apresentação do Copacabana Club no palco Street numa onda bem Disco cheia de delays e phasers doidos que me fizeram dançar um pouco,comprei a primeira cerveja, logo depois entrou Mc Eric do Technotronic no palco Urban e eu apenas me virei (parabéns pela idéia produção) soltando alguns beats, mas o cara da mesa de som devia estar cochilando e não soltou o grave na parada ai o show parou e recomeçou na pressão, grave ajustado dando aquela pulsação para ouvirmos uma house music de primeira, apesar de colocarem umas minas dançando no palco meio perdidas sem saberem o que estavam fazendo direito.
A congolesa Ya Kid K entrou no palco bem pra cima mas o cara da mesa vacilou novamente e demorou um pouco para ajustar o volume do mic dela, de resto não sou muito perito em musica eletrônica mas gostei da apresentação cheia de dubsteps e breakbeats e da classicona Pump um the Jam (poperô, alguém lembra) e logo após o fim da apresentação do Technotronic (encontrei a rapaziada) entra no palco Street Dj King quebrando tudo.
Num país onde qualquer celebridade ataca de DJ nas baladas banalizando uma das manifestações artísticas mais originais da música moderna, infelizmente não valorizamos tanto o trabalho desses guerreiros, em minha opinião DJ King é um dos principais do país e do mundo hoje nos quesitos qualidade, habilidade e originalidade, mais duas cervejas na cabeça, e o que ele fez nesse e no outro palco (troca para montagem do palco do Emicida) não foi brincadeira, inspiradíssimo, então um recado para os DJs celebridades, ser DJ não é a mesma coisa que colocar som pra rolar num programinha no laptop
em uma bodega qualquer ser DJ é ser o rei da noite, por ser tão foda que todo mundo aprovaria a sua coroação, se depender de mim DJ King representou o ofício com louros de sobra.
Evandro Fióti sobe ao palco Street e anuncia Instituto, Emicida, Dj Nyack(outro monstro!), Rael da Rima, Fabiana Cozza e Criolo, pego outra cerveja e quase caio pra trás, o que se seguiu foi a impressionante entrada de Emicida no palco falando sobre valorizar o que é nosso e sobre o rap ter sido renegado por muito tempo, por muita gente em São Paulo e no Brasil pela elite e autoridades por questões políticas e culturais de aculturação evidentemente.
Eu de boca aberta assisti besta tudo aquilo, a confluência de tudo que eu sempre busquei como conceito dentro da música, política, raiz, atitude e qualidade.
Fabiana Cozza grande sambista do Camisa Verde e Branco sempre fantástica e a vontade, Rael da Rima rascante nos vocais, Criolo, Doido lógico, reverenciando nossa geração e o rap nacional numa homenagem épica( cover de raps que marcaram) e única, tudo muito bem orquestrado por Daniel Ganjaman, Samuel, Zé Nigro, M. Munari, Bocão e Dj Nyack com uma sonoridade única.
Jonh Legend e The Roots entraram no palco Urban e terminaram o massacre, o que dizer de Jonh Legend, timbre único, piano único e um carisma sem par.
Questlove na batera do The Roots numa base rítmica perfeita e quebrando todos os tempos o máximo possível puro groove rapaz, atacando sucessos atrás de sucessos numa áurea e energia perfeitas.
Até a Ana Carolina pintou para uma canja, eu já tinha tomado várias nessa altura, simplesmente fantástico!
Quem não foi perdeu, quem foi e não curtiu, não entendeu nada, eu voltei para casa feliz e fechei com essa chave de ouro, com muita musica de qualidade, meu final de semana perfeito
Um recado para o mimado Já Rule que não subiu ao palco e à Cee Lo Green que desmarcou na semana do festival:
- Vocês não fizeram falta alguma!Obrigado por não aparecerem!
Victor Ajami Minkah está em um transe desde o domingo

Babel

 

Acordei com sonhos incertos
E sorri para o sol na minha janela
Passei com os meus olhos dispersos
Brindei o começo de uma nova era
Segui a sina da cena de um novo dia
Que nascia pleno de luz e paz
Pedi aos céus toda aquela energia
Que emergia nessa mente tenaz
Que quer a paz mas não aceita a injustiça
E parte pro arrebento quando necessário
Que quer a paz mas não aceita a propina
Dessa lógica que vende o respeito barato