quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Então vamos falar de Rap
Em minhas aulas de história venho utilizando o rap constantemente para tratar de temas como exclusão, violência, machismo, racismo, sexismo entre outros assuntos diversos que o gênero aborda e percebi que a maioria dos meus alunos não ouvem rap, muitos deles me disseram que era por que o rap "era muita oreiada", que eles ficavam muito revoltados e que a maioria preferia ouvir funk.
Essa tal "oreiada" do rap "...salvou mais moleque que muito projeto social..." como fala sabiamente Emicida em um de seus sons e de certa forma tirou da alienação e do conformismo generalizado esse colunista que vos escreve.
O discurso do rap, a linguagem do rap me cativou com Fim de Semana no Parque onde eu percebi pela primeira vez que, o moleque que apenas sonhava através do muro, era eu também, que a minha realidade era mais foda e complexa do que eu sabia ou entendia.
Eu fiquei curioso em saber porque o rap hoje não tem mais a força que tinha na periferia, porque o rap deixou de ser a voz dessa juventude oprimida e foi substituído pelo funk nas periferias?
E cheguei a seguinte conclusão, a periferia deixou o rap, porque o rap deixou a periferia!
Hoje você assiste mais shows de rap na Rua Augusta, em Pinheiros e na Vila Madalena ou na Brasilândia, Guianazes e Heliópolis?
Não acho que o rap deva ficar restrito as periferias, mas vejo que perdeu muito da sua força nesse espaço por não trabalhar mais as suas bases, as bases que o projetaram no país, e ao perder contato com a sua raiz deixou de fazer sentido para essa juventude, deixou de ter vínculo com essa juventude e deixou de ser a voz dessa juventude dando espaço para o funk, funk esse que na verdade é o Miami Bass misturado com Maculelê e está longe de parecer como funk do James Brown que meu velho me ensinou a gostar(não a dançar, infelizmente!).
Ainda tomou uma lição desse mesmo Funk no que toca a divulgação e distribuição, os rappers ficaram muito presos a idéia de assinar com uma grande gravadora e tocar nas rádios, agora pergunto de que valem as gravadoras e rádios-jabás em relação ao poder que as próprias comunidades e a internet tem hoje em dia?
Racionais Mc's vendeu um milhão e quinhentas mil cópias sem dar entrevistas para a mídia, sem tocar nas grandes rádios e por uma gravadora independente.
Tenho minhas restrições a alguns tipos de Funk mas reconheço que a sua cena independente inova nos seus esquemas de distribuição e divulgação feito dentro da periferia, pela própria periferia e consequentemente ultrapassando as barreiras da perifeiria atingindo outros grupos sociais. Já a qualidade dessa música é outra questão.
O rap perdeu o seu espaço por que na minha opinião o discurso antisistêmico do rap, infelizmente ficou só no discurso, lógico que ainda resta a esperança na parte do rap que vêm nadando contra a corrente já faz alguns anos, então seria injusto não citar Emicida, Projota, Rashid, Pentágono, Contrafluxo, Criolo Doido(melhor álbum que eu ouvi esse ano até agora) e mais um monte de rappers e grupos que eu não me lembrei de falar!
Victor Ajami Minkah teve uma curta carreira de rapper que se limitou a utilizar por duas vezes o microfone aberto de quinta-feira na Galeria Olido há uns anos atrás, experiência que serviu para ele perceber que métrica não era o seuforte.
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