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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Pedrada no lago (monólogo dos tempos de desemprego)

Do luto à luta
Construo a minha conduta
Transformando o meu cotidiano
A mente maquina bola o plano
Por engano, me deixa desenganado.
Deixo no passado o que for passado,
Ao presente eu abraço forte
Não por medo da vida nem medo da morte
Por medo de falta de sorte
Daquele destino rápido q te dá um corte
Versátil como um volante moderno
Voando baixo como os anjos do inferno
Rolam os dados, altas apostas.
Me deixam sem palavras sem respostas.
Para as minhas próprias questões
Limitando a maioria das minhas ações
Que eu só vou começar a compreender
Quando puder me soltar me desprender
Do meu orgulho das minhas vaidades
Que me trazem sempre meias verdades.
E eu já cansado de parcialidades
Perco meus dias, noites e tardes.
Tentando encontrar uma forma de fugir.
Escapar pelas frestas, de apenas sair.
Da prisão dos meus pensamentos
Das fortalezas de raros momentos.
A consciência me instiga a nadar
Contra a maré mas não consigo remar
A correnteza me lança contra as pedras
Me arrasta à acreditar em regras
Que eu nunca segui e nunca seguiria
Seguir um padrão pra mim não serviria
Encontraria dificuldades para me adaptar
À um terno burocrático ou a uma farda
Iria me fartar de medos inconscientes
Iriam me faltar os sorrisos inocentes
Propostas indecentes discursos incoerentes
No curso da história se fizeram presentes
Para apenas confundir nossos conceitos
Embarrerando inalienáveis direitos
de ficar calado antes que seja tarde
A me tornar mais calmo manso e covarde
Me entregando à ciladas cruéis
Vender a alma por dez notas de dez
Nem isso eu valho mas em todo o caso
Imprimam meu rosto em moedas de um centavo
Pra que fique mais claro, coerente e prático
Me exibam como um animal estático
Pálido, lúgubre e tétrico nos museus
E digam com orgulho que eu já fui um dos seus
Mas não consegui passar ileso
Por demonstrar minha verdade meu peso
Dezesseis toneladas de groove na pressão
Alto alcance no quesito de precisão
Em cima na marcação do meu enredo
Nas ruas sagrados são os segredos
No degredo à margem de toda situação
Inimigo público numero um em constante expansão
Artilharia pesada com um lápis na mão
Poder para povo agora, nunca ao capitão
Não me importa seu cargo, patente ou posição
Sendo contrário á toda forma de imposição
Escravidão mental tomou as camadas da sociedade
Que permanecem estagnadas nesse apartheid
Social, cultural, que manipula toda à massa.
Tornando a realidade banal e sem graça
Degradando, segregando, regrando as ações
Moldando o cidadão nos padrões dos patrões
nos fazendo correr, correr sem sair do lugar
Fazendo o povo agir sem parar para pensar
Aumentando as tarifas e os seus ordenados
Enquanto muitos por aqui são condenados
a viver uma realidade totalmente deturpada
sem massagem, eufemismos e contos de fada
a verdade na nossa cara frente a frente
chega de repente numa tarde de verão quente,
o povo todo na rua ondas de crime e de calor.
aumentando e enroscando a loucura na dor
levando muitas almas caídas à boca ao bar,
mães chorar e os prantos formar um mar.
de coisas inexplicáveis fatos relacionados,
amores, dores e casos reais complicados.
de se entender, ver, crer e sentir,
como saber o que dizer mas não poder ouvir.
abrir o coração calejado e sofrido,
se entregar a algo no seu íntimo escondido.
fugir das sagas, das chagas, sofridas veredas dessa sina,
onde o improvável pode se tornar rotina.
sair da esquina, do desespero, “vencer”.
nunca foi fácil mas é preciso correr,
morrer se necessário e por isso viver
brigar, lutar mas nunca, jamais temer
atravessar a vida sem olhar pros lados,
nos fez fortes sozinhos, portanto fracos,
espaços conquistados com sangue e suor,
fazer por amor é tentar dar o seu melhor,
e se não foi o bastante tente outra vez,
lutar com todas as forças como sempre fez,
o seu, o meu e o nosso inconsciente,
a média pra quem vem de baixo é insuficiente.
Parar de se preocupar com o superficial.
o supérfluo, da prisão do mundo material .
televisão de plasma e produtos importados.
enquanto seus irmãos estão sendo massacrados.
por aqueles que você tenta imitar,
quando se endivida para ter o que mostrar.
tentando alcançar aquilo que não vai ter.
é apenas o reflexo daquilo que você quer ser.
é apenas o reflexo daquilo que você busca parecer.
é apenas o reflexo daquilo que você...
é apenas o reflexo daquilo que...
é apenas o reflexo daquilo...
é apenas o reflexo...
é apenas o...
é apenas...
é.






Componentes do meu imáginário

No meu caderno carrego, todas as sombras de um grande profeta, um atormentado, selvagem e subverssivo solo de píston, mil torres de uma nova Babel cinzenta e chuvosa, ídolos alienígenas ainda carregados em louvor, um violão malandro, um casal entretido em uma dança ao mesmo tempo sútil e libidinosa, as invenções e anseios de uma geração, todas as falanges dos anjos do céu me trazendo a proteção necessária para andar sob a luz de qualquer lua, a raíz majestosa de um povo guerreiro, um antigo crime resignificado por uma nova cultura urbana, olhos que enxergam cores músicais, o ritmo a raiva o som e a fúria, um malandro das antigas tocando um violão, visões exógenas de um exótico éden devastado pela ganância dos egos, tambores "hi-tec's", ruídos, alto-falantes, música, muita música, um idealista usado como logomarca mergulhado no mar rubro de sua luta, letras rotas, parcas, garranchadas e mais nada.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Saí andando(sem rumo)por aí.

Inocentemente pensando na vida e nas cores que ela tem,
nos sonhos, nos choros e nas dores que as vezes fazem bem.
Vejo que muitos são atores, que atuam quando melhor lhes convém.
Vou separando o joio do milho, não fazendo e não sendo refém,
Com a suavidade reservada a todos que sabem á que vieram,
aquela simplicidade sublime de todos que sempre se superam.
Prosperam no campo do imaterial imaginário, significando os atos,
sem se envolver nem concorrer a vagas nessa corrida de ratos.
Sem horário, salário atitudes e pensamento totalmente arbitrários
Que embarca em qualquer onda sem preocupação com itinerários.
No caminho contrário, venho guiando ciente pela contra-mão,
diante dos caminhos mesquinhos pelos quais convergem a civilização.
Escoando os lucros, os brutos produtos internos de nossas mentes.
Lapidando o sangue de quem ao menos tenta se manter coerente,
consciente depois da queda de peito do parapeito do décimo andar,
depois de engolir tantas inverdades que atrasaram o seu despertar.
Morrer de dor de dente antes dos vinte, de febre antes de fazer dez,
ser o autor, ator na cena do crime ou morrer entre montes de papéis.
Quais os meus os seus anseios, ou quais serão os que o meu filho terá?
Subverter, romper ou simplesmente apertar o botão de auto-formatar.
Monstros internos, externos, alheios e inseridos no contexto geral.
A nossas escolhas estãos muito além da dualidade entre o bem e o mal.
Máquina vital para os desdobramentos entre o equlíbrio e o conflito,
a simplificação já não dá conta de explicar tudo aquilo o que eu sinto.


domingo, 5 de outubro de 2008

Carta a mim mesmo (o início).

Caro e digníssimo sr.
Saibas que está a beira de um ataque de nervos, ao meu ver parece que isso lhe afeta diretamente o conteúdo das frases presas no bloco de mármore em que foi transformado seu cérebro, por consequência da opressão da gravata, dos gravatas e das calosidades causadas pelo seu sapato de solado duro.
De segunda a sexta transformou-se num zumbi, não fala mais sozinho, não canta baixo e desafinado no ônibus quando uma cena cotidiana lhe estimula, não ri das besteiras ditas pelos seus amigos no passado, não se emociona mais ao sentir um cheiro que o faça lembrar da casa da sua avó e por fim não segue mais sendo o cara desajustado, desajeitado, cheio de dilemas e ditos populares prontos a serem expelidos por mais desgastante que pareça o momento ou a situação.
Resolvi escrever esse desabafo para que você fique ciente de que reprovo totalmente essas atitudes formatadas, muitas vezes me pergunto o que te leva a se anular, anular suas vontades e renegar a liberdade de vontades e sensações a que sempre esteve felizmente condenado?
Vá pro meio do mato, vá para um lugar tranquilo, renove sua mente, renove-se, encontre com vc mesmo de novo como aquele dia de chuva no Viaduto do Chá e ai então poderemos voltar a nós.
Vou agora pra longe, um lugar dentro do infindo labirinto de consciência que você tenta reduzir à uma salinha com quatro cadeiras, uma máquina de xerox, um armário com uns jornais velhos, uma janela com vista para essa Babel cheia de edificações sem alma e nem sonhos, só cimento e concreto por todo lado, uns papeis em branco, uns papés escritos em uma língua totalmente estrangeira à seus ouvido e interesses e uma pessoa normal que você pensa que pode chegar um dia ser um pouco você (ou vc pensa que pode ser um pouco ela)!
Não se engane com a normalidade, ela é perigosa e põe em risco essa multiplicidade que forma sua mente, seu corpo e sua alma e tudo mais o que você tanto admira, se expanta e se impressiona em ver por aí e também põe em risco seu conceito e modo de enxergar e significar a realidade.
Paz...daquele que se move no tempo e no espaço, nunca lhe deixando esquecer quem é, quem foi e o que faz, como faz e por que faz e que por fim sempre retorna pra te encontrar ou se encontrar (confuso, pobre e tosco).