Guiado pelos vapores de novos valores
fundido na soma do novos sabores
africanos sim somos nós de pele escura
suburbanos os guardiões da cultura
nascida da mistura é a planta que cura
brotando em flor de amor pura
sem conservantes mantemos conservados
os sons dos vários tambores transportados
no coração dos povos transplantados
em transações transatlânticas imolados
soldados e Reis de moçambique e angola
hoje nas ruas imploram a esmola
na escola não aprendemos sobre alienação
e não importa a história real da nação
danação caímos todos em danação
e do Brasil hoje somos nós a negação
a nossa negra ação depôs o colonialismo
mas ainda nos degladiamos no abismo
malcom x disse não há capitalismo sem racismo
cidadão de segunda classe segregacionismo
se o apartheid aqui é mesmo social
por que o preconceito ainda é cultural?
se espalha através das piadas dos feitores
reproduzida pela classe dos senhores
respeitem meus cabelos, brancos
eles são com orgulho crespos e francos
como toda a franqueza toda a alegria
com que eu encaro o dia-a-dia a correria
que a contribuição africana irradia
faz a festa, canta forte sempre com rebeldia
arredia força motriz das lutas cotidianas
das guerrilhas mentais e culturais urbanas
humanas fontes de sabedoria e oralidade
se perpetuam através da luta pela liberdade
negada pela repressão não oficial
do meu biotipo ser considerado o ideal
de suspeição de uma tendência marginal
não passa batido pelo corpo policial
mas enfim só reflexão não leva a luta
é necessária ação modelo de conduta
assunção da negricalidade da musicalitude
da atitude positiva da eterna mente rude
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Tudo o que eu tenho
Sonhos são sonhos tudo o que eu tenho
Tudo o que eu tenho a oferecer
Tudo o que eu quero é saber
Tudo o que eu preciso é fazer
planos e planos que não vão me levar
pra algum lugar em frente ao mar
que me deixe leve flutuando no ar
o cheiro que vem no vento me faz lembrar
que o que vale a pena é só a cena
pois já não existe fato só o ato
desse couro que o sol amorena
a mente serena de paisano mulato
pelo mato adentra e já não lembra
do que quer dizer a sombra de um arranha-céu
já que pela noite afora ele tambozeia
e das clareiras faz de cama e dossel
no largo espaço de tempo parado
ao lado de tudo que acontece rapidamente
salta de banda ginga joga de lado
com a consciência de quem faz diferente
com a precisão de que nada é preciso
para a escolha simples da felicidade
um pouco de tudo e um tudo conciso
um choro, um riso e um risco de verdade
busca incessante sem pressa ou prisão
por aquele algo a mais que satisfaz
substância pura da indecente indecisão
natural de quem vive da velha luta por paz
Tudo o que eu tenho a oferecer
Tudo o que eu quero é saber
Tudo o que eu preciso é fazer
planos e planos que não vão me levar
pra algum lugar em frente ao mar
que me deixe leve flutuando no ar
o cheiro que vem no vento me faz lembrar
que o que vale a pena é só a cena
pois já não existe fato só o ato
desse couro que o sol amorena
a mente serena de paisano mulato
pelo mato adentra e já não lembra
do que quer dizer a sombra de um arranha-céu
já que pela noite afora ele tambozeia
e das clareiras faz de cama e dossel
no largo espaço de tempo parado
ao lado de tudo que acontece rapidamente
salta de banda ginga joga de lado
com a consciência de quem faz diferente
com a precisão de que nada é preciso
para a escolha simples da felicidade
um pouco de tudo e um tudo conciso
um choro, um riso e um risco de verdade
busca incessante sem pressa ou prisão
por aquele algo a mais que satisfaz
substância pura da indecente indecisão
natural de quem vive da velha luta por paz
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Mais uma vez o chão é o limite
Perdemos mais uma, mais essa, mas sem pressa, de qualquer forma seremos presa das trevas, soberba dos ricos, das velhas, mentes carcomidas de uma Babel que pensávamos ter ficado no passado mas se faz presente anulando um futuro digno, mais madeirite no kit, mais pedras nas ruas e nos caminhos de quem vaga pelas madrugadas do centro. Sem escola só a cola de sapateiro baforada no saquinho que o moleque sem mochila leva o lápis de cor roído pelo verme no estômago, virar bandido é melhor que ser tratado como bandido sem ser? Chora a mãe que AMA mas espera quatro horas pra ter a filha que tentou abortar a filha ser atendida, enquanto um sorriso cínico tira onda dos pobres fudidos que lhe deram os votos corrompidos pela cerVeja que lhes chapou o GLOBO, é esse ano não teve lei seca pra tentar deixar mais sóbria nossa embriaguez cultural. Não dava pra colocar na Folha a franqueza de um sorriso de Franco déposta esclarecido, arauto da privataria me tirando de otário falando que o metrô chega sempre no horário assim como é alto meu salário se comparado ao do desempregado gerado pra cumprir demandas de mercado, cabra marcado pra morrer, tiranicídio é dever, moral mas na moral quem terá coragem para lutar sobre a chuva dessa noite tenebrosa onde o bobo é rei e eu sou mais um da sul, da norte, da oeste à leste sem perspectiva ouvindo o pancadão na casa do vizinho, o tiro tirando a vida de um menino, o choro sem pandeiro, flauta ou cavaquinho e vejo que apesar de ser massa me sinto cada vez mais sozinho.
P.S. No dia três de Outubro a população dessa Babel decidiu que dezesseis anos é pouco para as trevas e decidiu por mais quatro anos manter ignóbeis senhores estuprando nossas mães, irmãs e filhas, explorando nossos pais, irmãos e filhos e alargando mais um abismo já muito profundo e quase que irreversível, resta agora lutarmos para que por mais que a Babel desmorone ainda brilhe uma estrela de esperança e justiça sobre a Babilônia.
P.S. No dia três de Outubro a população dessa Babel decidiu que dezesseis anos é pouco para as trevas e decidiu por mais quatro anos manter ignóbeis senhores estuprando nossas mães, irmãs e filhas, explorando nossos pais, irmãos e filhos e alargando mais um abismo já muito profundo e quase que irreversível, resta agora lutarmos para que por mais que a Babel desmorone ainda brilhe uma estrela de esperança e justiça sobre a Babilônia.
sábado, 2 de outubro de 2010
Cão sem dono
Agora eu vago pro todos os lugares onde o pensamento fluir, onde o vento bater, onde o sereno pingar eu vago.
Me gasto como trocado amassado no bolso, esquecido, doido varrido pra debaixo do tapete, falido e os cacete.
K7 que foi gravada por cima, irregular, saldo negativo de ideias batidas, partida em breve rumo a leve vida breve. Escreve, mau lê, pior que um vagabundo sozinho pela estrada a dizer frases desbocadas pra quem para pra ver, que a vida é mais foda do que parece, mesmo com prece acontece com quem menos merece, ficar pelo caminho sem nada a perder.
Arqueólogo dos muros, paisano sem rumo, pé na estrada do futuro, beatnik escuro, fulano com um plano obscuro, não ter plano só o mundo e seguir sendo quem é quem sabe um dia.
Aqui dentro um peito onde pende uma big band que tomou ácido e um plácido e resplandecente abraço do próximo decadente sentimento que atravessar a porta do auto-conhecimento e não tem nada como um tempo após um contratempo.
Meu mundo não é esmola, tampa de coca-cola, o universo numa mola, rola, esfola, cola é pau-a-pau, e agora?
Me gasto como trocado amassado no bolso, esquecido, doido varrido pra debaixo do tapete, falido e os cacete.
K7 que foi gravada por cima, irregular, saldo negativo de ideias batidas, partida em breve rumo a leve vida breve. Escreve, mau lê, pior que um vagabundo sozinho pela estrada a dizer frases desbocadas pra quem para pra ver, que a vida é mais foda do que parece, mesmo com prece acontece com quem menos merece, ficar pelo caminho sem nada a perder.
Arqueólogo dos muros, paisano sem rumo, pé na estrada do futuro, beatnik escuro, fulano com um plano obscuro, não ter plano só o mundo e seguir sendo quem é quem sabe um dia.
Aqui dentro um peito onde pende uma big band que tomou ácido e um plácido e resplandecente abraço do próximo decadente sentimento que atravessar a porta do auto-conhecimento e não tem nada como um tempo após um contratempo.
Meu mundo não é esmola, tampa de coca-cola, o universo numa mola, rola, esfola, cola é pau-a-pau, e agora?
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