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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Negricalidez

Guiado pelos vapores de novos valores
fundido na soma do novos sabores
africanos sim somos nós de pele escura
suburbanos os guardiões da cultura
nascida da mistura é a planta que cura
brotando em flor de amor pura
sem conservantes mantemos conservados
os sons dos vários tambores transportados
no coração dos povos transplantados
em transações transatlânticas imolados
soldados e Reis de moçambique e angola
hoje nas ruas imploram a esmola
na escola não aprendemos sobre alienação
e não importa a história real da nação
danação caímos todos em danação
e do Brasil hoje somos nós a negação
a nossa negra ação depôs o colonialismo
mas ainda nos degladiamos no abismo
malcom x disse não há capitalismo sem racismo
cidadão de segunda classe segregacionismo
se o apartheid aqui é mesmo social
por que o preconceito ainda é cultural?
se espalha através das piadas dos feitores
reproduzida pela classe dos senhores
respeitem meus cabelos, brancos
eles são com orgulho crespos e francos
como toda a franqueza toda a alegria
com que eu encaro o dia-a-dia a correria
que a contribuição africana irradia
faz a festa, canta forte sempre com rebeldia
arredia força motriz das lutas cotidianas
das guerrilhas mentais e culturais urbanas
humanas fontes de sabedoria e oralidade
se perpetuam através da luta pela liberdade
negada pela repressão não oficial
do meu biotipo ser considerado o ideal
de suspeição de uma tendência marginal
não passa batido pelo corpo policial
mas enfim só reflexão não leva a luta
é necessária ação modelo de conduta
assunção da negricalidade da musicalitude
da atitude positiva da eterna mente rude

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