Sente, sente é pulsação, garrafas batendo, quebrando, portas rangendo, olhares temerosos, sobre um futuro que se parece muito com o passado e podemos observar através dos vidros de automóveis, super máquinas que indicam o status em detrimento da sutileza de uma caminhada que hoje nos remete à pobreza, mas é mais rica de significado que quatro rodas e um motor a rosnar. Jogando verdades em nossas caras começamos a perceber hoje que o cinismo nos leva a única saída desses becos, ou a única entrada para eles depende simplesmente da sua propensão a marginalidade, e ao nos questionarmos sobre o que é ser marginal, podemos dizer que somos todos culpados por sermos omissos, omissão também é crime qualificado, e o pensamento formatado de quem se julga mais que alguém que não teve oportunidade alguma numa vida desgraçada pela maquina, pelo controlo, pelo rolo compressor, que oprime meus pés com os sapatos, meus sonhos com os atos, meus argumentos com os fatos que parecem reais a muitos, mas a mim parecem muito abstratos, e não entendo todos os códigos nos extratos, e agindo a favor mas pensando ao contrário, sigo no contra-fluxo diário, fluxo intermitente, me afogando nesse mar de gente, me apegando a renascer no sol poente, e vagar por ruas e horas sem rumo sem ter aonde chegar, mas sempre conseguir chegar em algum lugar e o pior que a primeira música do John Coltrane nem terminou, mas afetou seriamente meu cérebro e disseminou nele uma nova visão do novo que parece ser tão sem graça, quanto o banco de uma praça, é de graça que se senta, olha ou passa, sigo devorando livros como uma traça ultimamente, porém poucos deles fazem sentido a minha mente, como aquele dia em que tudo ficou diferente e de repente pude ver todos os ângulos, não somente o que estava na minha frente.Mas pra falar a verdade queria só aprender a meditar, transportar minha mente pra um novo sonho particular, mesmo sendo tão egoísta, sigo cansado de só viver minha vida e não viver cem vidas em comunhão com a minha, um som daqueles me gela a espinha, os devaneios de uma existência tão mesquinha, é engraçado até pensar que se pode chorar de alegria ou rir da tristeza, contar as horas ou definir a beleza, é engraçado é errado ser somente ser, sem motivo com causa mas sem juízo do que pode levar ou no que, que vai dar, e indo, foi a procurar e encontrou a si mesmo e tentou se orgulhar de seus defeitos, mas refeito do susto se olhou no espelho e esqueceu do pesadelo, lembrou o da noite passado que pensou ser verdadeiro mas o alívio veio ao despertar nesse janeiro chuvoso, de novo no mesmo dia que parecia muito com o anterior,repetindo o mantra mentalmente: - de qualquer forma haja o que houver eu, vou acordar hoje, amanhã de novo!!!!!!
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
DesenganOrganizado
Tudo é só alegria quarta-feira cai o pano.
Mais um carnaval se vai num devaneio mundano.
A porta bandeira volta a labuta de lavadeira.
O mestre de bateria pega a lotação na quinta-feira.
Nada de alegoria, a alegria aos poucos se esvai.
Num boteco um violão de um malandro sobressai.
A boêmia retorna ao resguardo no aguardo.
De uma nova madrugada de sambas sincopados.
Confetes e serpentinas espalhados pelo chão.
Solo sagrado regado de sangue suor e emoção.
A marcação de um surdo bate descompassada.
Rasgando o céu através de uma noite ilustrada.
Ultimas fantasias rasgadas jogadas no meio fio.
O transito volta a fluir denso intenso com um rio.
O tamborim que bate seco abafado sem paixão.
Segue ditando a marcha, caminhada e evolução.
Pelas ruas operários seguindo seus itinerários.
Rezando baixo clamando por melhores salários.
Com a marmita cheia de vontades e verdades.
Contrastando com figuras cabisbaixas e covardes.
Acabou-se o que era a doce ilusão de harmonia.
Agora o sistema é quem volta ditando a melodia.
O ritmo que segue ainda hoje sendo marcado.
Pelo mesmo estalo das chibatadas do passado.
Rasgando as mesmas costas em largos caminhos.
Nos tornando uma multidão de cidadãos sozinhos.
O povo que mesmo cansado de viver a sorrir.
Sabe que o sol de um novo dia ainda há de luzir.
Ventos
Sentindo o vento na cara na varanda de casa.
Sigo voando alto, dando a minha mente asas.
Observando o bairro, os carros, quem passa.
Nada me estressa, nem a pressa que hoje traça,
Meu caminho, sozinho, reflito sobre o presente.
Que me apresenta novidades nada inocentes.
Sobre tudo aquilo que tranqüilo não se pressente.
Impossíveis de serem decifradas de modo decente.
Por que minha mente não alcança tamanha latitude.
Longitude e extensão e parcamente se confunde.
Quando adentra o reino da construção do conhecimento.
E o que eu faço de protesto acaba virando lamento.
Pela vontade de relacionar fatos e acontecimentos.
E construir sonhos completos de concreto e cimento.
Pois toda teoria que teço me parece incompleta.
Toda solução que encontro nem sempre é a mais esperta.
Nem sensata e desbaratinada desfaço meus anseios.
Mergulhado no oceano profundo dos meus receios.
E observo quanto o nosso pensamento é pequeno.
Complexo intercalado por um devaneio sereno.
Que traz paz e satisfaz em curto prazo o intelecto.
Assombrando meus umbrais como temível espectro.
Trazendo sonhos astrais, mil viagens espaciais.
Por dentro da minha mente, ajustando os diais.
Numa mesma sintonia, contra toda monotonia.
Trazendo a palavra como a mais notável especiaria.
Em troca do pão e de fazer duas refeições por dia.
Extraio minha inspiração do caos e da correria.
De todas causas das lutas, sonhos, batalhas perdidas.
Vidas ingratas, vidas secas ou todas vidas falidas.
Sigo voando alto, dando a minha mente asas.
Observando o bairro, os carros, quem passa.
Nada me estressa, nem a pressa que hoje traça,
Meu caminho, sozinho, reflito sobre o presente.
Que me apresenta novidades nada inocentes.
Sobre tudo aquilo que tranqüilo não se pressente.
Impossíveis de serem decifradas de modo decente.
Por que minha mente não alcança tamanha latitude.
Longitude e extensão e parcamente se confunde.
Quando adentra o reino da construção do conhecimento.
E o que eu faço de protesto acaba virando lamento.
Pela vontade de relacionar fatos e acontecimentos.
E construir sonhos completos de concreto e cimento.
Pois toda teoria que teço me parece incompleta.
Toda solução que encontro nem sempre é a mais esperta.
Nem sensata e desbaratinada desfaço meus anseios.
Mergulhado no oceano profundo dos meus receios.
E observo quanto o nosso pensamento é pequeno.
Complexo intercalado por um devaneio sereno.
Que traz paz e satisfaz em curto prazo o intelecto.
Assombrando meus umbrais como temível espectro.
Trazendo sonhos astrais, mil viagens espaciais.
Por dentro da minha mente, ajustando os diais.
Numa mesma sintonia, contra toda monotonia.
Trazendo a palavra como a mais notável especiaria.
Em troca do pão e de fazer duas refeições por dia.
Extraio minha inspiração do caos e da correria.
De todas causas das lutas, sonhos, batalhas perdidas.
Vidas ingratas, vidas secas ou todas vidas falidas.
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