Tudo é só alegria quarta-feira cai o pano.
Mais um carnaval se vai num devaneio mundano.
A porta bandeira volta a labuta de lavadeira.
O mestre de bateria pega a lotação na quinta-feira.
Nada de alegoria, a alegria aos poucos se esvai.
Num boteco um violão de um malandro sobressai.
A boêmia retorna ao resguardo no aguardo.
De uma nova madrugada de sambas sincopados.
Confetes e serpentinas espalhados pelo chão.
Solo sagrado regado de sangue suor e emoção.
A marcação de um surdo bate descompassada.
Rasgando o céu através de uma noite ilustrada.
Ultimas fantasias rasgadas jogadas no meio fio.
O transito volta a fluir denso intenso com um rio.
O tamborim que bate seco abafado sem paixão.
Segue ditando a marcha, caminhada e evolução.
Pelas ruas operários seguindo seus itinerários.
Rezando baixo clamando por melhores salários.
Com a marmita cheia de vontades e verdades.
Contrastando com figuras cabisbaixas e covardes.
Acabou-se o que era a doce ilusão de harmonia.
Agora o sistema é quem volta ditando a melodia.
O ritmo que segue ainda hoje sendo marcado.
Pelo mesmo estalo das chibatadas do passado.
Rasgando as mesmas costas em largos caminhos.
Nos tornando uma multidão de cidadãos sozinhos.
O povo que mesmo cansado de viver a sorrir.
Sabe que o sol de um novo dia ainda há de luzir.

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