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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

De novo

Sente, sente é pulsação, garrafas batendo, quebrando, portas rangendo, olhares temerosos, sobre um futuro que se parece muito com o passado e podemos observar através dos vidros de automóveis, super máquinas que indicam o status em detrimento da sutileza de uma caminhada que hoje nos remete à pobreza, mas é mais rica de significado que quatro rodas e um motor a rosnar. Jogando verdades em nossas caras começamos a perceber hoje que o cinismo nos leva a única saída desses becos, ou a única entrada para eles depende simplesmente da sua propensão a marginalidade, e ao nos questionarmos sobre o que é ser marginal, podemos dizer que somos todos culpados por sermos omissos, omissão também é crime qualificado, e o pensamento formatado de quem se julga mais que alguém que não teve oportunidade alguma numa vida desgraçada pela maquina, pelo controlo, pelo rolo compressor, que oprime meus pés com os sapatos, meus sonhos com os atos, meus argumentos com os fatos que parecem reais a muitos, mas a mim parecem muito abstratos, e não entendo todos os códigos nos extratos, e agindo a favor mas pensando ao contrário, sigo no contra-fluxo diário, fluxo intermitente, me afogando nesse mar de gente, me apegando a renascer no sol poente, e vagar por ruas e horas sem rumo sem ter aonde chegar, mas sempre conseguir chegar em algum lugar e o pior que a primeira música do John Coltrane nem terminou, mas afetou seriamente meu cérebro e disseminou nele uma nova visão do novo que parece ser tão sem graça, quanto o banco de uma praça, é de graça que se senta, olha ou passa, sigo devorando livros como uma traça ultimamente, porém poucos deles fazem sentido a minha mente, como aquele dia em que tudo ficou diferente e de repente pude ver todos os ângulos, não somente o que estava na minha frente.Mas pra falar a verdade queria só aprender a meditar, transportar minha mente pra um novo sonho particular, mesmo sendo tão egoísta, sigo cansado de só viver minha vida e não viver cem vidas em comunhão com a minha, um som daqueles me gela a espinha, os devaneios de uma existência tão mesquinha, é engraçado até pensar que se pode chorar de alegria ou rir da tristeza, contar as horas ou definir a beleza, é engraçado é errado ser somente ser, sem motivo com causa mas sem juízo do que pode levar ou no que, que vai dar, e indo, foi a procurar e encontrou a si mesmo e tentou se orgulhar de seus defeitos, mas refeito do susto se olhou no espelho e esqueceu do pesadelo, lembrou o da noite passado que pensou ser verdadeiro mas o alívio veio ao despertar nesse janeiro chuvoso, de novo no mesmo dia que parecia muito com o anterior,repetindo o mantra mentalmente: - de qualquer forma haja o que houver eu, vou acordar hoje, amanhã de novo!!!!!!

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