Perdemos mais uma, mais essa, mas sem pressa, de qualquer forma seremos presa das trevas, soberba dos ricos, das velhas, mentes carcomidas de uma Babel que pensávamos ter ficado no passado mas se faz presente anulando um futuro digno, mais madeirite no kit, mais pedras nas ruas e nos caminhos de quem vaga pelas madrugadas do centro. Sem escola só a cola de sapateiro baforada no saquinho que o moleque sem mochila leva o lápis de cor roído pelo verme no estômago, virar bandido é melhor que ser tratado como bandido sem ser? Chora a mãe que AMA mas espera quatro horas pra ter a filha que tentou abortar a filha ser atendida, enquanto um sorriso cínico tira onda dos pobres fudidos que lhe deram os votos corrompidos pela cerVeja que lhes chapou o GLOBO, é esse ano não teve lei seca pra tentar deixar mais sóbria nossa embriaguez cultural. Não dava pra colocar na Folha a franqueza de um sorriso de Franco déposta esclarecido, arauto da privataria me tirando de otário falando que o metrô chega sempre no horário assim como é alto meu salário se comparado ao do desempregado gerado pra cumprir demandas de mercado, cabra marcado pra morrer, tiranicídio é dever, moral mas na moral quem terá coragem para lutar sobre a chuva dessa noite tenebrosa onde o bobo é rei e eu sou mais um da sul, da norte, da oeste à leste sem perspectiva ouvindo o pancadão na casa do vizinho, o tiro tirando a vida de um menino, o choro sem pandeiro, flauta ou cavaquinho e vejo que apesar de ser massa me sinto cada vez mais sozinho.
P.S. No dia três de Outubro a população dessa Babel decidiu que dezesseis anos é pouco para as trevas e decidiu por mais quatro anos manter ignóbeis senhores estuprando nossas mães, irmãs e filhas, explorando nossos pais, irmãos e filhos e alargando mais um abismo já muito profundo e quase que irreversível, resta agora lutarmos para que por mais que a Babel desmorone ainda brilhe uma estrela de esperança e justiça sobre a Babilônia.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
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